ROMANCE DO AMANHECER
O sol desnudava a pampa
em carícias luzidias,
cavalgando campo à fora,
transformando noite em dia
e, enquanto amanhecia,
despertava, a cada afago,
nas coxilhas já desnudas
todos amores do pago.
Terra e céu, pampa e sol
um só ser agora são;
entre rubores de aurora,
brisa em suave canção.
Silente, o tempo esvaía,
sorrateiro, sem alarde,
lembrando que a noite fria
se impõe ao cair da tarde.
Sangrado, o amor poente,
quando o dia foi embora,
adormeceu no horizonte,
esperando a nova aurora.
E amanhã pampa e sol
hão de se amar novamente,
trazendo lume ao dia,
arrebol do amor nascente.
(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 73)

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