sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Poema do tempo - O livro dos espelhos (2011)

 POEMA DO TEMPO

O tempo não passa lento ou depressa,
somos nós em suas mãos de ventríloquo;
o tempo não passa, ele está.
 
Há areia movediça na ampulheta do tempo;
o tempo tem sede da gente.
 
Faz tempo que o tempo teima em me roubá-lo a si.
 
O tempo é o que foi, o que é, o que será, e o que teria sido
ou não.
 
O tempo é o pior ladrão:
tempo é o que escorre por entre os dedos e nos leva junto.
 
(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 59)


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