terça-feira, 18 de agosto de 2020

As rédeas do vento - O livro dos espelhos (2011)

AS RÉDEAS DO VENTO

 
Chamamé tomou as rédeas do vento
pra cavalgar no céu azul da pampa
e, céu afora, nuvem branca à cabresto,
matou a sede no espelho das sangas.
 
Dia a dia, em seu celeste reponte,
rebanhos de raios-de-luz-de-auroras
e bandos de estrelas que, do horizonte,
refletem o infinito nas esporas.
 
E chamamé recorreu a querência
repontando a luzidia tropilha
e o pago inteiro se encheu de esperança
por chamamé ecoar nas coxilhas.
 
Chamamé tomou as rédeas do vento
pra cavalgar no céu azul da pampa
e fez dançar as folhas na mata
aos primeiros raios de sol da manhã.
 
Dos vaga-lumes, do clarão lua
nos olhos dos bichos, açudes e rios,
o lume da tropa que, em noite escura,
ao reponte de chamamé luziu.
 
E chamamé recorreu a querência
repontando a luzidia tropilha
e o pago inteiro se encheu de esperança
por chamamé ecoar nas coxilhas.
 
(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 67)


 

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