terça-feira, 25 de agosto de 2020

Quando o mate sorve a gente - O livro dos espelhos (2011)

QUANDO O MATE SORVE A GENTE

Quando o mate sorve a gente,
invernia e solidão
dão lugar à água quente,
que aquece o coração.
 
Quando o mate sorve a gente,
afogam-se todas mágoas;
da mão brota uma vertente
de onde o pranto deságua.
 
Da taipa, vejo águas calmas
e um verde por todo o chão...
Quem mateia lava a alma
no açude do chimarrão!
 
Quando o mate sorve a gente,
a saudade é erva buena:
no carijo, insistente,
o braseiro cura as penas.
 
Quando o mate sorve a gente,
no amargor das madrugadas,
o doce gosto se sente
dos beijos da prenda amada.
 
Da taipa, vejo águas calmas
e um verde por todo o chão...
Quem mateia lava a alma
no açude do chimarrão!
 
(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 71)


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