AMANHECER DE MILONGA
A milonga, em sua aurora,
abre as cortinas da noite;
vislumbra a pampa, lá fora,
da janela do horizonte.
A milonga amanhece
tão sonora e luzidia...
Como se fosse uma prece,
abençoa as sesmarias.
Milonga do amanhecer,
traz, pra alma, claridade.
O sol que nasce na pampa
chega na hora do mate.
A milonga, já desperta,
num instante se faz dia;
é quero-quero em alerta
no topo de uma coxilha.
A milonga, em plenitude,
é o dia que se prolonga.
Há, no espelho do açude,
distraída, uma milonga...
Milonga do amanhecer,
traz, pra alma, claridade.
O sol que nasce na pampa
chega na hora do mate.
(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 65)

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