quinta-feira, 13 de agosto de 2020

A voz da América do Sul - O livro dos espelhos (2011)

A VOZ DA AMÉRICA DO SUL

 
Calou-se a voz da América do Sul,
levou com ela a dor do nosso adeus;
nas asas de um condor, no céu azul,
sua alma, clara, foi morar com Deus.
 
Nos ranchos, toscos, se acenderam velas
e de silêncio revestiu-se a pampa.
O aço perde o fio, se destempera,
mas a palavra é espada de quem canta.
 
A América ouvia a sua voz
como se fosse o som de nossas almas.
Um rio não morre ao encontrar a foz,
são só suas águas que se alargam, calmas.
 
Eu só peço a Deus, em nome dos pobres;
nós somos filhos do mesmo abandono.
A terra abriga humildes casebres
e nos casebres, se abrigam os sonhos.
 
Em cada verga, em cada semente,
na esperança, cega, do semeador,
em cada sanga , dormindo silente...
Tu viverás, nos aguapés em flor.
 
A América ouvia a sua voz,
como se fosse o som de nossas almas.
Um rio não morre ao encontrar a foz,
são só suas águas que se alargam, calmas.
 
(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 63)
 


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