INSÔNIA
Dormir é deixar de viver, é morrer por
vontade própria, é praticamente suicídio, cerrar os olhos, fechar as cortinas, cruzar
os braços, abster-se, acovardar-se, entregar-se.
Enquanto a
vida segue lá fora, você se vira na cama para dormir a manhã de domingo.
Enquanto o mundo gira, você se deixa inerte para sestear a tarde ensolarada.
Enquanto a luta continua, você se rende à letargia vespertina. Enquanto as
estrelas cadentes dançam e a lua acena, você se esconde debaixo das cobertas.
A insônia é um
presente, embala ideias, rabisca planos, traça metas, rascunha a vida. Insones
sonham acordados. Insones acordam madrugadas, despertam noites, alumbram breus.
O sono
adormece grandes feitos, evita amores, retarda a produção, encerra trabalhos
inacabados, posterga realizações, atrasa, interrompe, paralisa. Quem dorme
abandona o mundo, deixa-se à própria sorte, à deriva.
Durma apenas o
necessário, nunca tanto quanto você gostaria. Abra os olhos para a vida!
(Danilo Kuhn - Crônicas afônicas, 2014, p. 142)

Sou um grande sonhador e concordo contigo! Abraços fraternos e literários!
ResponderExcluirGracias, irmão de pena! Viva os poetas que sonham acordados! Abraço!
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