quinta-feira, 11 de abril de 2024

Insônia - Crônicas afônicas (2014)

 INSÔNIA

 

Dormir é deixar de viver, é morrer por vontade própria, é praticamente suicídio, cerrar os olhos, fechar as cortinas, cruzar os braços, abster-se, acovardar-se, entregar-se.

Enquanto a vida segue lá fora, você se vira na cama para dormir a manhã de domingo. Enquanto o mundo gira, você se deixa inerte para sestear a tarde ensolarada. Enquanto a luta continua, você se rende à letargia vespertina. Enquanto as estrelas cadentes dançam e a lua acena, você se esconde debaixo das cobertas.

A insônia é um presente, embala ideias, rabisca planos, traça metas, rascunha a vida. Insones sonham acordados. Insones acordam madrugadas, despertam noites, alumbram breus.

O sono adormece grandes feitos, evita amores, retarda a produção, encerra trabalhos inacabados, posterga realizações, atrasa, interrompe, paralisa. Quem dorme abandona o mundo, deixa-se à própria sorte, à deriva.

Durma apenas o necessário, nunca tanto quanto você gostaria. Abra os olhos para a vida!

(Danilo Kuhn - Crônicas afônicas, 2014, p. 142)




2 comentários:

  1. Sou um grande sonhador e concordo contigo! Abraços fraternos e literários!

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    1. Gracias, irmão de pena! Viva os poetas que sonham acordados! Abraço!

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