FÉRIAS DE MIM
Aqui, onde as horas não passam. Aqui, onde
o tempo não me vê. Aqui, onde a rotina não me enxerga. Aqui, onde preocupações
esvanecem. Aqui, onde os sonhos adormecem. Aqui, onde o passado não vem à tona.
Aqui, onde as amarguras não me sorvem. Aqui, onde a inveja não alcança. Aqui,
onde o trabalho não impera.
Vez em quando,
tiro férias de mim. E fico aqui, distante, ouvindo o murmurar constante do
riacho, degustando a brisa e seus aromas silvestres, mastigando o tempo,
bebendo as horas.
A rotina
mastiga, sem pressa, dia a dia, vida e viver. O mundo perde as estrelas da
noite, o gorjear matinal, os matizes do crepúsculo, a dança das nuvens, as
flores, a lua, a poesia.
É claro que
assim como não existe noite sem dia, som sem silêncio, luz sem sombra, também
não existe férias sem trabalho. Mas tudo há de ter seu tempo. Um ciclo.
Por isso, hoje
tirei férias de mim. Não penso, não calculo, não faço planos. Tudo a seu tempo.
E é tempo de férias. Dar-se férias de si mesmo é um ato de desprendimento
momentâneo, necessário para renovar as energias, revigorar-se, reanimar-se,
reviver-se.
Dá-te férias a
ti mesmo, ainda que por apenas alguns dias. Certos distanciamentos nos
aproximam. Boas férias!
(Danilo Kuhn - Crônicas afônicas, 2014, p. 122)

Queria umas férias também...
ResponderExcluirDale! Sempre é tempo... Baita abraço.
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