quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Amanhã, quando eu morrer - Crônicas afônicas (2014)

AMANHÃ, QUANDO EU MORRER

 

Amanhã, quando eu morrer, vou enganar o mundo num aceno vago, despedida falsa.

Quando eu te disse “eu te amo”, nessas palavras te entreguei meu coração.

Quando eu te pedi “por favor”, nesse momento te alcancei minha esperança.

Quando eu te disse “obrigado”, ali te dei minha gratidão.

Quando eu te roguei “vem comigo”, contigo reparti meu medo.

Quando eu te convidei “fica comigo”, contigo dividi minha solidão.

Quando eu te disse “meu amigo”, trocamos lealdade e amizade.

Eu não vou partir, pois já me reparti com vocês, assim como não vou sozinho, vou com todos vocês.

Amanhã, quando eu morrer, vou continuar vivendo em vocês, e vocês vão morrer um pouco em mim.

(Danilo Kuhn - Crônicas afônicas, 2014, p. 104)




2 comentários:

  1. Salve mestre Danilo Kuhn este é o mundo da música e da arte. Surpreendendo sempre com suas crônicas.

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  2. Grato, produtor! Seguimos! Grande abraço.

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