segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Quando o giz acaricia a lousa - Crônicas afônicas (2014)

QUANDO O GIZ ACARICIA A LOUSA

 

Quando o giz acaricia a lousa, sussurrando palavras brancas, olhinhos brilham tanto de curiosidade que seria um pecado chamar-lhes ‘a-lunos’, sem luz.

Quando o giz acaricia a lousa, piso ou teto salarial se tornam teto e piso da sala de aula que o professor transforma em reino de riquezas impalpáveis.

Quando o giz acaricia a lousa, cada descoberta é uma janela que se descortina, uma porta que se abre, e um abraço que acolhe.

Quando o giz acaricia a lousa, o silêncio se transforma em palavra, a penumbra se ilumina, a verdade ganha força, caem as mordaças, desatam-se as vendas, desvelam-se os véus.

Quando o giz acaricia a lousa, benévolas iscas fisgam o interesse da classe com seus anzóis luzidios.

Misto de pai e mãe, professores dão asas, mas advertem dos maus ventos, dão o peixe, mas ensinam a pescar, estendem a mão, mas encorajam a andar por si só, abraçam para confortar, mas aconselham, ofertam a luz do conhecimento, mas incentivam o brilho próprio. O professor contempla a magia do ensinar, e com isto também aprende, quando o giz acaricia a lousa.

(Danilo Kuhn - Crônicas afônicas, 2014, p. 102)




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