QUANDO O GIZ ACARICIA A LOUSA
Quando o giz acaricia a lousa, sussurrando palavras
brancas, olhinhos brilham tanto de curiosidade que seria um pecado chamar-lhes ‘a-lunos’,
sem luz.
Quando o giz acaricia a
lousa, piso ou teto salarial se tornam teto e piso da sala de aula que o
professor transforma em reino de riquezas impalpáveis.
Quando o giz acaricia a
lousa, cada descoberta é uma janela que se descortina, uma porta que se abre, e
um abraço que acolhe.
Quando o giz acaricia a
lousa, o silêncio se transforma em palavra, a penumbra se ilumina, a verdade
ganha força, caem as mordaças, desatam-se as vendas, desvelam-se os véus.
Quando o giz acaricia a
lousa, benévolas iscas fisgam o interesse da classe com seus anzóis luzidios.
Misto de pai e mãe,
professores dão asas, mas advertem dos maus ventos, dão o peixe, mas ensinam a
pescar, estendem a mão, mas encorajam a andar por si só, abraçam para
confortar, mas aconselham, ofertam a luz do conhecimento, mas incentivam o
brilho próprio. O professor contempla a magia do ensinar, e com isto também
aprende, quando o giz acaricia a lousa.
(Danilo Kuhn - Crônicas afônicas, 2014, p. 102)

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