terça-feira, 23 de maio de 2023

Estelar - Crônicas afônicas (2014)

ESTELAR

 

Aqui, nas estrelas, eu vou ficar; tão perto da lua, tão perto do sol... Desse céu que é todinho meu: o céu da tua boca. Teus beijos me abrem os portões do paraíso que eu tanto busco e preciso; são meu afã, meu torpor, levam-me às alturas, abalam-me as estruturas, fazem-me voar.

Daqui, das estrelas, eu vou olhar-te – meus olhos são quase estrelas – e observar-te e cuidar-te todos os dias, acordar-te, fazer-te dormir, fazer-te sonhar. Eu vou bater asas e voar alto, pegar impulso, e mergulhar de cabeça nos teus sonhos, como o céu mergulha no mar.

Eu não quero mais horizontes, essas linhas ciumentas que nos tentam separar, que separam céu e mar.

Pra cá, pras estrelas, eu vou trazer-te e vou dá-las todas pra ti, teremos todo o céu só pra nós... Vamos brincar, correr atrás de caudas de cometas, contar estrelas, beijar a lua, catar asteroides, viajar a favor dos ventos solares, redesenhar as constelações... E o nosso amor estelar fará brilhar o olhar de cada ser que ama, ao olhar o céu todo o mundo vai saber de nós e no nosso amor espelhar-se.

Somos estrelas cadentes, caindo sem fechar os olhos no espaço lindo e profundo do Amor Maior.

(Danilo Kuhn - Crônicas afônicas, 2014, p. 86)




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