ESTELAR
Aqui, nas estrelas, eu vou ficar; tão
perto da lua, tão perto do sol... Desse céu que é todinho meu: o céu da tua
boca. Teus beijos me abrem os portões do paraíso que eu tanto busco e preciso;
são meu afã, meu torpor, levam-me às alturas, abalam-me as estruturas, fazem-me
voar.
Daqui, das estrelas, eu vou olhar-te – meus olhos são
quase estrelas – e observar-te e cuidar-te todos os dias, acordar-te, fazer-te
dormir, fazer-te sonhar. Eu vou bater asas e voar alto, pegar impulso, e
mergulhar de cabeça nos teus sonhos, como o céu mergulha no mar.
Eu não quero mais horizontes, essas linhas ciumentas
que nos tentam separar, que separam céu e mar.
Pra cá, pras estrelas, eu vou trazer-te e vou dá-las
todas pra ti, teremos todo o céu só pra nós... Vamos brincar, correr atrás de
caudas de cometas, contar estrelas, beijar a lua, catar asteroides, viajar a
favor dos ventos solares, redesenhar as constelações... E o nosso amor estelar
fará brilhar o olhar de cada ser que ama, ao olhar o céu todo o mundo vai saber
de nós e no nosso amor espelhar-se.
Somos estrelas cadentes, caindo sem fechar os olhos
no espaço lindo e profundo do Amor Maior.
(Danilo Kuhn - Crônicas afônicas, 2014, p. 86)

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