segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Vento, água, areia e pedra - O livro dos espelhos (2011)

VENTO, ÁGUA, AREIA E PEDRA

Vento leva a dor embora,
fome a esperar o pão.
A linha do horizonte
corre na palma da mão.
 
Rede, lagoa ferida,
barco sem ter direção.
Vai a vida contra o tempo
navegando sem razão.
 
Vento, água, areia e pedra
nas margens da solidão;
há tanto pranto contido
dentro do meu coração.
 
Vida passa, pé de vento,
clima ao avesso no chão.
O homem sem sentimento
água turva, inundação.
 
Coração feito de pedra
o tempo não perdoa, não.
Quem planta sonhos no vento
colhe só desilusão.
 
Vento, água, areia e pedra
nas margens da solidão;
há tanto pranto contido
dentro do meu coração.
 
(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 79)



 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Eu quero me alimentar de luz - Crônicas afônicas (2014)

EU QUERO ME ALIMENTAR DE LUZ...   N asce da terra fértil a dádiva da vida, espreguiçando-se em tons de verde-broto. Uma infinidade de ar...