sexta-feira, 31 de julho de 2020

Do amor de cor - O livro dos espelhos (2011)

DO AMOR DE COR

 
Ver de longe
ver melhora;
amar é loucura
de dentro pra fora.
 
Sobram coisas
assim, zanzando,
sempre tortas,
palpitando.
 
Ali, lástimas;
uma lágrima brinca aqui.
Em seu lar, anjos;
céu que sorri.
 
Horas vagarosas;
coração descompassado
acerta os ponteiros,
neste caso, lado a lado.
 
A vida é um poema
de amor
que por mais se leia
não sabe de cor.
 
(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 53)

 


quinta-feira, 30 de julho de 2020

De relógios e abraços - O livro dos espelhos (2011)

DE RELÓGIOS E ABRAÇOS

 
Ser pleno. Pôr-se brilho no olhar.
Espontaneidade num sorriso bobo.
Alguns excessos impensados, impulsos.
 
Imaturo o gesto, mas saudoso.
Enlace minúsculo perante as ausências?
Quem pode mensurar a temporalidade do abraço?
 
O relógio não é uma invenção da alma!
Em seus ponteiros, poucos segundos;
mas após dias e dias, continuo te abraçando...
 
Algumas presenças não se ausentam,
apenas prenunciam o próximo encontro.
 
Algumas presenças são um presente,
mesmo enquanto ausentes.
 
Agora mesmo, estou conversando contigo
através da caneta e do papel.
 
(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 51)

 


quarta-feira, 29 de julho de 2020

Visitas - O livro dos espelhos (2011)

VISITAS
 
Demorei muito pra dormir,
mas agora consegui
e, de repente, me vi aqui,
guardando seu sono.
 
Você não me vê, mas me sente
quando acaricio seu rosto
nessas visitas noturnas
que lhe faço enquanto durmo.
 
(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 47)


terça-feira, 28 de julho de 2020

Poema das estrelas - O livro dos espelhos (2011)

POEMA DAS ESTRELAS

 
Aqui, nas estrelas, eu vou ficar;
tão perto da lua, tão perto do sol...
Desse céu que é todinho meu:
– O céu da tua boca.
 
Daqui, das estrelas, eu vou te olhar
(meus olhos são quase estrelas)
e eu vou mergulhar nos teus sonhos
como o céu mergulha no mar.
 
Não quero mais horizontes,
essas linhas ciumentas
que tentam nos separar,
que separam céu e mar.
 
Pra cá, pras estrelas, eu vou te trazer
e vou dá-las todas pra ti,
teremos todo o céu só pra nós...
E daí? Nós já temos a nós!
 
(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 45)
 



segunda-feira, 27 de julho de 2020

O ninho da solidão - O Livro dos espelhos (2011)

O NINHO DA SOLIDÃO
 
Sabiá não cantou mais
desde quando me deixaste.
Hoje chora co´a viola,
empoleirado à saudade.
 
Bem-te-vi não te viu mais
e nem eu ao bem-te-vi.
Emudecido, foi-se embora
por não te ver mais aqui.
 
E eu que, quando bem te vi,
me senti um passarinho...
De repente, a solidão
no meu peito fez seu ninho.
 
João-de-barro ergueu do barro,
como eu, sua morada.
Que tristeza, ele bem sabe,
ver o amor deixar a casa.
 
Beija-flor, por desamor,
desde quando foste embora,
não foi mais de flor em flor...
Falta a mais bela da flora.
 
E eu que, quando bem te vi,
me senti um passarinho...
De repente, a solidão
no meu peito fez seu ninho.
 
(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 43)


Eu quero me alimentar de luz - Crônicas afônicas (2014)

EU QUERO ME ALIMENTAR DE LUZ...   N asce da terra fértil a dádiva da vida, espreguiçando-se em tons de verde-broto. Uma infinidade de ar...