DEZ MOTIVOS PARA LERES ESTA CRÔNICA
Ao leres esta crônica, a poesia em forma
de véus de nuvens esparsos ao vento acenará lá do alto que o céu é o limite para
teus sonhos, basta deixar-te elevar e expandir. Para vislumbrar o horizonte é
necessário abrir as cortinas...
A música que
emana das palavras soará aos teus ouvidos como a beleza que cativa o coração e
liberta a alma das mazelas do superficial. Para cantar a vida é preciso ouvir
as entrelinhas...
O encanto
inerente à arte invadirá as horas moribundas de trabalho e cansaço para
revitalizar energias anestesiadas e o já opaco brilho no olhar. Para ver o
mundo sem vendas há de se olhar para dentro de si mesmo...
O próprio
tempo dar-te-á uma trégua e deixar-te-á um pouco a sós contigo mesmo, ante o
espelho da autorreflexão, onde mesmo um segundo vale uma eternidade.
Compreender aos outros pressupõe compreender-se antes...
Este texto até
então mudo, afônico, ganhará voz e diante dos teus olhos falará sobre si e
sobre ti, num diálogo transcendente que apenas quem lê conhece. O texto não
pertence ao autor, é de cada um dos leitores...
Teu coração enobrecer-se-á
ao emprestares atenção às minhas palavras, e as mesmas terão um motivo para
terem sido escritas: pertencerem a ti. Ofertar-te-ão seu breve sopro de vida,
sutil impulso rumo a teus anseios no sussurro de uma frase que se necessita
ouvir...
Meu coração
baterá em paz ao saber-te leitor. Perdido na biblioteca do esquecimento o texto
não lido, o livro jamais aberto... Um escritor escreve para si mesmo, mas ele
mesmo é seus leitores...
Se o alimento
do corpo é o que se come e se bebe e se respira, o da alma é o que se lê e se
ouve e se vê e se sente. A poesia da arte e da vida é o pão do espírito. Não há
corpo de pé se a alma convalesce...
Por que não
ler palavras inspiradas e pensadas e escritas para ti? Por vezes damos atenção
a quem não retribui e não percebemos quem atenta em nós. Olhar para o lado é a
chave para enxergar o que merece ou não estar lá dentro do coração...
Por fim, vou
contar-te um segredo. Nada existe sem o outro. Nem som sem silêncio, nem luz
sem sombra, nem dia sem noite, nem eu sem você, nem texto sem leitor. Portanto,
para que eu exista, por favor, lê esta crônica...
(Danilo Kuhn - Crônicas afônicas, 2014, p. 130-131)

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