ROMANCE
DE PAMPA E SOL
Despacito, o sol desnudava a pampa
com carícias tênues e luzidias
que pouco a pouco se tornavam amplas,
lhe
trazendo matizes de alegria,
iluminando os campos deste amor
quando noite se transformava em dia.
Suspiros subiam ao céu: rubor
que à paixão denunciava a cada afago
que o sol imprimia à pampa, em calor,
e
a noite fria com seu poncho amargo
ia dando lugar à pampa desnuda,
plena de todos amores do pago.
À luz do amor, o iluminado muda
sua tez que agora resplandece, brilha,
quando antes era opaca e sisuda
como
as flores, que na noite das trilhas
se ocultam da visão do caminhante,
mas que ao sol, lhe acenam lá das coxilhas.
Assim,
a pampa, em pele verdejante,
exalava dos poros seu perfume
enquanto o sol, mais e mais radiante,
estendia
à sua amada tal lume
que, ao esmaecerem, as demais plagas
deste romance sentiam ciúme.
E
o sol percorria as planuras largas,
se mirava vaidoso nos açudes,
roubava beijos da água das sangas,
e
a pampa encantava aos homens mais rudes,
versejando amor em suave canção
soprada ao vento, que no céu se funde:
terra
e céu, pampa e sol, agora são,
ao terno amanhecer que se faz dia,
um só ser, unido pela paixão;
e
o romance ao longo das horas ia,
e o casal apaixonado se amava,
despercebido que o tempo esvaía...
Mas,
na medida em que o tempo passava
– se ia sorrateiro, sem alarde –,
o romance ao final se aproximava,
porque
enquanto o sol de amores arde,
esquece que seu fogo depois apaga
com o frio que impõe o cair da tarde.
O
mesmo vento que ora o amor propaga,
agora sopra avesso a tal romance,
contentando a inveja das demais plagas;
e
a pampa de luz, do amor que amanhece,
desposada pelo amante do céu,
se recolhe escura quando anoitece:
noite
torna a vesti-la em negro véu,
cobrindo a vastidão ora ensolarada
que agora, prostrada, o lume perdeu;
sol
gaudério pega o rumo da estrada,
deixando pra trás a diurna amante
– alvas lágrimas na quincha estrelada –.
Sangrado,
o amor anuncia o poente
de um romance que fora ardente outrora,
descendo melancólico o horizonte.
Mas
este rubor que se vê agora,
do amor fora atestado no amanhecer
e prenuncia que amanhã a aurora
fará,
talvez, romance renascer
quando o lume do sol lumiar a pampa
e à sua pele carícias tecer,
percorrendo
a geografia do campo,
sussurrando brisas ao pé do ouvido
enquanto aos poucos o dia se acampa.
E
de terra e céu o amor desmedido,
que morre e renasce a cada arrebol,
assim, jamais quedará em olvido,
pois
a cada nova manhã no sul,
reacenderá a chama do amor
num novo romance entre pampa e sol!
com carícias tênues e luzidias
que pouco a pouco se tornavam amplas,
iluminando os campos deste amor
quando noite se transformava em dia.
que à paixão denunciava a cada afago
que o sol imprimia à pampa, em calor,
ia dando lugar à pampa desnuda,
plena de todos amores do pago.
sua tez que agora resplandece, brilha,
quando antes era opaca e sisuda
se ocultam da visão do caminhante,
mas que ao sol, lhe acenam lá das coxilhas.
exalava dos poros seu perfume
enquanto o sol, mais e mais radiante,
que, ao esmaecerem, as demais plagas
deste romance sentiam ciúme.
se mirava vaidoso nos açudes,
roubava beijos da água das sangas,
versejando amor em suave canção
soprada ao vento, que no céu se funde:
ao terno amanhecer que se faz dia,
um só ser, unido pela paixão;
e o casal apaixonado se amava,
despercebido que o tempo esvaía...
– se ia sorrateiro, sem alarde –,
o romance ao final se aproximava,
esquece que seu fogo depois apaga
com o frio que impõe o cair da tarde.
agora sopra avesso a tal romance,
contentando a inveja das demais plagas;
desposada pelo amante do céu,
se recolhe escura quando anoitece:
cobrindo a vastidão ora ensolarada
que agora, prostrada, o lume perdeu;
deixando pra trás a diurna amante
– alvas lágrimas na quincha estrelada –.
de um romance que fora ardente outrora,
descendo melancólico o horizonte.
do amor fora atestado no amanhecer
e prenuncia que amanhã a aurora
quando o lume do sol lumiar a pampa
e à sua pele carícias tecer,
sussurrando brisas ao pé do ouvido
enquanto aos poucos o dia se acampa.
que morre e renasce a cada arrebol,
assim, jamais quedará em olvido,
reacenderá a chama do amor
num novo romance entre pampa e sol!
(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 91-93)
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