TODA
VEZ QUE EU PENSO EM TI
Toda
vez que eu penso em ti
eu vejo
raios, tempestades a me repelir.
E o dia
escureceu,
escureceu
só pra mim,
vivendo
envolvido por nuvens de escuridão.
Eu sou
o olho do furacão,
giro em
torno de mim mesmo a me procurar
e eu
posso te machucar,
não
tenta te aproximar,
não
trago bons ventos, não consigo parar.
Toda
vez que escureço, eu
fecho
os olhos pra não lembrar.
Espero
a luz me resgatar daqui,
mas
volto sempre pro mesmo lugar.
Não
sossega o meu tormento,
daqui a
pouco já não tenho chão.
Pra
onde vou eu não sei,
sou de
mim mesmo refém,
encarcerado
em minha própria prisão.
E
nessas grades invisíveis
eu me
debato a noite inteira.
Eu
sequestrei minha alma
quando
perdi minha calma
e
recusei o resgate, mas nem sei bem por que.
Toda
vez que escureço, eu
fecho
os olhos pra não lembrar.
Espero
a luz me resgatar daqui,
mas
volto sempre pro mesmo lugar.
(Danilo
Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 31)

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