quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

O que eu não queria ver - O livro dos espelhos (2011)

O QUE EU NÃO QUERIA VER

Tentei guardar os meus segredos só pra mim;
tentei guardar, mas agora a espera chegou ao fim.
Num quarto escuro, eu procurava pela porta...
O meu caminho era uma estrada torta...

Esperando sempre a hora certa que nunca virá...
O medo apenas deixa de existir
quando criamos coragem de olhar para lá...

Joguei eu mesmo pra dentro de mim;
me encarei, e me vi como eu sou.
E estando ali, eu pude enxergar
o que eu não queria ver: você estava lá.

Onde eu estava, eu não conseguia voar;
onde eu estava, eu nem conseguia chorar.
Minhas emoções aprisionadas sob o gelo:
meu peito em brasa agora pode derretê-lo.

Você é o poder que eu preciso pra me reerguer;
da masmorra eu já me libertei;
estou mais leve que o vento, e em direção a você.

Joguei eu mesmo pra dentro de mim;
me encarei, e me vi como eu sou.
E estando ali, eu pude enxergar
o que eu não queria ver: você estava lá.

(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 25)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Janela - O livro dos espelhos (2011)

JANELA

A janela insistindo que o tempo não para.
Pessoas sem rosto caminhando lá fora.
Por que, na janela da minha vida,
você não passa e acena?

O ruído da rua invadindo o silêncio.
O sol da manhã e o vento passeiam.
Por que, na janela da minha vida,
você não passa e me chama?

É o tempo passando só do lado de fora.
É olhar ao redor e não enxergar nada.
É perguntar ao silêncio e esperar resposta.
É prender a si mesmo e jogar a chave fora.

Por que, na janela da minha vida,
você não passa e acena?
Por que, na janela da minha vida,
você não passa e me chama?

(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 23)


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Insônia - O livro dos espelhos (2011)

INSÔNIA

Você me deixou sem visão,
quebrou meu olhar;
estranha sensação.

Agora, cada passo é calculado.
Parece que fiquei mais forte.
Se as aparências me enganaram,
nada mais se parece.

Minha doce ilusão
se apagou na escuridão.
Minha doce ilusão se apagou.

Nenhum gesto eu aceno em vão.
E eu sempre tenho os pés no chão.
Meu destino, guardo na palma da mão.

O brilho mentiroso das palavras
já não me convence mais,
suas roupas são outras.
Escuto as entrelinhas.

Minha doce ilusão
se apagou na escuridão.
Minha doce ilusão se apagou.

O cheiro do vento me traz notícias,
é o meu jornal.
Cada rosto eu já decorei
pelo sabor de sua canção.
E eu não sofro mais de insônia.
E eu não sofro mais de insônia.
E eu não sofro mais de insônia.
E eu não sofro mais de insônia.

Minha doce ilusão
se apagou na escuridão.
Minha doce ilusão se apagou.

(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 21)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Insegurança - O livro dos espelhos (2011)

INSEGURANÇA

Não sei por que
tudo em volta
amedronta.

Olhei pra mim,
agora mesmo,
não vi nada.

Eu caminhava e então perdi o chão.
Eu navegava sem ter direção.
Eu não sabia pra onde ia.

A minha insegurança,
a tua insegurança,
nos espelha.

E o que é a nossa história
nos condena agora,
semelhança.

Eu caminhava e então perdi o chão.
Eu navegava sem ter direção.
Eu não sabia pra onde ia.

(Danilo Kuhn - O Livro Dos Espelhos, 2011, p. 19)

Insegurança (letra/música: Danilo Kuhn; gênero musical: rock) participou do VI Dom Feliciano Music Festival, festival estadual de rock de Dom Feliciano/RS, nos dias 7 e 8 de outubro de 2011. A composição foi defendida pela banda Verve, com Danilo Kuhn na guitarra e no vocal, Franklin Hellwig e Emanuel Murialdo nas guitarras solo, Jonathan Lüdtke no contrabaixo e Ilton Ornelas na bateria.



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

A busca - O livro dos espelhos (2011)

A BUSCA

Palavras nem sempre são sinceras,
palavras nem sempre são medidas.
Nem sempre encontro palavras,
nem sempre encontro saída.

Às vezes encontro o que quero,
às vezes me encontro perdido.
Palavras perdidas me encontram
n'algum lugar, escondido.

De repente me olho no espelho,
de repente o silêncio se quebra.
Não tenho pedras nas mãos...
Meu coração é de pedra?

Um dia encontro meu eu,
um dia vou saber onde estou.
Talvez eu me afaste de mim
e volte a ser quem eu sou.

(Danilo Kuhn - O livro dos espelhos, 2011, p. 17)


domingo, 9 de fevereiro de 2020

Biografia

"Eu sou uma gota d'água num mar infindo".

Danilo Kuhn (da Silva) é músico, compositor, poeta, escritor, professor e pesquisador natural de São Lourenço do Sul/RS, Brasil. Participa de festivais de música nativista, de poesia gaúcha e de música popular desde 2001, nos quais possui vários trabalhos gravados e premiados.

É formado em Licenciatura em Música pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel – 2001/2004), curso onde foi professor substituto das disciplinas Teoria Musical e Percepção Auditiva, Arranjo e Improvisação, Arranjo Vocal e Instrumental, Prática Instrumental em Grupo, Laboratório Coral, Música e Tecnologia e Prosódia Musical entre 2005 a 2007. Desenvolveu, participou e coordenou vários projetos de extensão nesta universidade, como a edição de partituras para os corais do ILA (Instituto de Letras e Artes) e da UFPel, formação da Orquestra de Câmara do ILA, Cursos Preparatórios para o Vestibular em Licenciatura em Música e cursos de iniciação ao software de edição de partituras Encore. É Mestre em Composição Musical pela Universidade Federal do Paraná (UFPR – 2008/2010), com pesquisa sobre gêneros musicais gaúchos, e Doutor em Memória Social e Patrimônio Cultural pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel – 2015/2019), com pesquisa etnomusicológica acerca da música pomerana da região sul do estado do Rio Grande do Sul. Entre 2019 e 2020, foi professor substituto do curso de Política e Produção Cultural da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus Jaguarão, onde ministrou as disciplinas História da Arte, Música e Sociedade, Laboratório de Processos de Criação e Narrativas Visuais, Seminário de Arte, Diversidade e Produção Cultural, e Linguagens Cênicas e Performáticas.

Possui uma escola de música em São Lourenço do Sul, Danilo Kuhn Escola de Música, onde ministra aulas de vários instrumentos e de teoria musical, harmonia, contraponto, arranjo, composição, etc., a qual se apresenta em diversos eventos locais, como a Semana Farroupilha do CTG Sepé Tiaraju, a Feira do Livro e o Natal Cultural da cidade, bem como apresentações na Expofeira e em eventos promovidos por escolas do município.

Foi violinista e editor de partituras da Orquestra Filarmônica do Sul, de Pelotas/RS, e integrante e arranjador de um trio de violinos, o Triunviratum, e de um grupo de música instrumental, o Musicomania, além de já ter participado de inúmeros grupos musicais nativistas e populares.

Possui larga experiência em gravações em estúdio, tendo feito cursos com Mauro Marques, técnico e proprietário do estúdio Zeus, de Porto Alegre/RS.

Como instrumentista, já se apresentou em diversas cidades do Rio Grande do Sul, do Brasil e do Uruguay, além de apresentar-se ao lado de músicos internacionais, como o oboeísta uruguaio Juan Pablo Fernandez, de Montevidéu, o acordeonista norte-americano José Curbelo, o acordeonista uruguayo Walter Roldán e o saxofonista e flautista alemão Thomas Walter Maria, de Berlim.

Empenhado em aprimorar-se artisticamente, seguidamente participa de cursos, como o Curso de Orquestração e Composição em Tango e o Curso de Interpretação e Estética em Música Popular – além de aulas particulares de composição – com o maestro uruguayo Juan Pablo Schellemberg, o Curso de Composição e Improvisação em Jazz com o compositor e guitarrista espanhol Santiago Quintáns, as aulas particulares com o violonista Maurício Marques, violonista do Quarteto Maogani, conhecido internacionalmente em suas turnês pelos Estados Unidos e Europa, e os cursos sobre Música Contemporânea em Curitiba/PR, com professores italianos e americanos.

Por seu reconhecido trabalho, frequentemente é convidado a participar de comissões julgadoras de festivais de música, entre eles o Festival de Música do CAVG (Colégio Agrícola Visconde da Graça) de Pelotas/RS de 2006, o Festival de música Gospel da IECLB de Pelotas/RS de 2006, os Concursos de Corais da União Agrícola e Cultural de São Lourenço do Sul/RS de 2006 e 2007, o Carnaval de Rua de São Lourenço do Sul/RS, no quesito samba-enredo, de 2007 e de 2008, o I e o II Acorde da Canção Nativa de Camaquã/RS, o Ibicuí da Canção Nativa de Manoel Viana/RS de 2008, a Capela da Canção Nativa de Amaral Ferrador/RS de 2009, o 6º Festimúsica de São Lourenço do Sul de 2021 e o 34º Reponte da Canção, da mesma cidade, de 2022.

Foi vocalista e guitarrista da banda Verve, banda de rock formada por alunos seus de música e que possui cerca de 30 músicas próprias, tendo uma delas participado do festival estadual de rock VI Dom Feliciano Music Festival, em novembro de 2011, bem como contrabaixita da banda de rock Flor de Lótus, também dedicada a composições próprias e participante do referido festival.

Entre 2007 e 2014, foi professor de Artes na Escola Municipal de Ensino Fundamental Germano Hübner, escola do interior do município de São Lourenço do Sul, onde desenvolveu trabalhos voltados para a poesia, a música, as artes plásticas, o teatro, e também a língua pomerana com o Projeto Pomerando, projeto que visa a aprendizagem, por parte dos alunos, de uma escrita convencionada, já que a escrita original do pomerano não perdurou na comunidade local (sua utilização na região é apenas oral), além de registrar, catalogar e analisar músicas, contos e brincadeiras tradicionais pomeranas.

Entre 2007 e 2010, foi Coordenador e Monitor do Projeto Canto Coral nas Escolas, promovido pela Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto (SMECD) de São Lourenço do Sul.

No ano de 2014, foi Coordenador Pedagógico de Arte da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto (SMECD) de São Lourenço do Sul, e condutor do Coral Municipal de São Lourenço do Sul/RS.

Ademais, foi condutor do Grupo Vocal e Instrumental da Escola Estadual de Ensino Médio Rodolfo Bersch, da localidade de Boa Vista, interior do município, da Orquestra de Flautas Doces da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e do Coral da AABB (Pérolas da Lagoa) locais. 

Já participou de vários festivais de música e de poesia, dentre eles:

- Reponte da Canção, São Lourenço do Sul; 
- Seival da Poesia Gaúcha, São Lourenço do Sul;
- Sinos dos Versos, São Leopoldo/RS;
- Celeiro da Poesia, Abdon Batista/SC;
- Rodeio de Poesias do Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria/RS;
- Sesmaria da Poesia, Osório/RS;
- Bivaque da Poesia Gaúcha, Campo Bom/RS;
- Manancial da Poesia, Portão/RS;
- Acampamento da Canção Gaúcha, Campo Bom/RS; 
- Esquila e Vindima da Canção Nativa, Encruzilhada do Sul/RS;
- Jerra da Canção, Santa Vitória do Palmar/RS;
- Capela da Canção Gaúcha, Amaral Ferrador/RS;
- Levante da Canção, Capão do Leão/RS;
- Coruja da Canção, Capão da Canoa/RS;
- Seiva da Terra, Rio Grande/RS;
- Canto Farroupilha, Alegrete/RS;
- Dom Feliciano Music Festival, Dom Feliciano/RS;
- Jerra da Canção Nativa, de Santa Vitória do Palmar/RS;
- Uma Canção para Santa Vitória, Santa Vitória do Palmar/RS;
- Canto dos Ervais, Palmeira das Missões/RS;

- Esmeralda Canta José Mendes, Esmeralda/RS;
- Convenção Nativista, Júlio de Castilhos/RS;
- Moinho da Canção, Panambi/RS;
- Canto Sem Fronteira, Bagé/RS;
- Ponche Verde, Dom Pedrito/RS;
- Festival de Música Crioula, Santiago/RS;
- Fecanpop, Canguçu/RS;
- Terra e Cor, Pedro Osório/RS;
- Comparsa, Pinheiro Machado/RS;
- Grito do Nativismo, Jaguari/RS;
- Coxilha Nativista, Cruz Alta/RS;
- Coxilha Negra, Butiá/RS;
- Galponeira de Bagé/RS;
- Musicanto Sul-Americano, Santa Rosa/RS;
- Guyanuba da Canção Gaúcha, Sapucaia do Sul/RS;
- Festival O Rio Grande Canta o Cooperativismo;
- Canto de Luz, Ijuí/RS;
- Canto Moleque, Candiota/RS;
- Vertente da Canção Nativa, Piratini/RS;
- Tafona da Canção, Osório/RS;
- Tertúlia Nativista, Santa Maria/RS;
- Califórnia da Canção Gaúcha, Uruguaiana/RS; entre outros.

Em 2011, lançou "O livro dos espelhos", onde reúne poemas variados, como letras de rock, de música popular, poemas livres, letras de música nativista e poemas gaúchos, tendo muitos deles já participado de festivais.

Em 2012, lançou o livro intitulado "Projeto Pomerando: língua pomerana na escola Germano Hübner", o qual apresenta uma proposta de padronização simplificada da escrita pomerana, um minidicionário português/pomerano, além de análises verbais.

Já em 2014, lançou o CD intitulado "Projeto Pomerando: músicas, contos e brincadeiras pomeranas", CD este patrocinado pelo Programa Federal Mais Cultura nas Escolas.

Ainda em 2014, lançou seu livro de crônicas, "Crônicas afônicas", coletânea de crônicas oriundas de seu blog homônimo, que conta com mais de 50 mil leituras.

Em 2016, lançou seu primeiro CD autoral, intitulado "Na estrada dos festivais", uma coletânea de músicas (e de poemas) autorais (e em parceria) participantes de festivais nativistas e de poesia gaúcha entre 2004 e 2014.

Em 2017, lançou, em co-autoria com a linguista mineira Neubiana Beilke, o livro intitulado "Projeto Pomerando II: língua pomerana na escola Germano Hübner - resgatando as raízes germânicas do pomerano", o qual traz uma fundamentação linguística para a proposta de padronização simplificada da escrita do pomerano apresentada na primeira edição do livro, e também recupera a escrita germânica do pomerano, em sua grafia original, além de conter letras de músicas tradicionais pomeranas. Este livro também foi patrocinado pelo Programa Federal Mais Cultura nas Escolas.

Em dezembro de 2018, lançou o livro intitulado "O caçador de auroras", coletânea de seus 'contos recônditos' e de 'suas crônicas lourencianas' (oriundos de seus blogs homônimos) e de seus poemas mais recentes.

Durante a pandemia do COVID-19, desenvolveu um projeto poético-musical, os "Poemas pandêmicos", classificado em edital da Fundação Universidade do Rio Grande (FURG), e um projeto acadêmico-musical, "A música pomerana de São Lourenço do Sul", patrocinado pela Lei Aldir Blanc através da Prefeitura Municipal de São Lourenço do Sul. E, ainda, em 2020, lançou seu primeiro e-book de poemas, intitulado "Casulo", em 2021, seu segundo, "Eu, poema" e, em 2022, o terceiro, "Metaversos".

Ademais, é membro do Centro de Escritores Lourencianos (CEL) desde 2012, da Academia Internacional de Artes e Letras Sul-Lourenciana (AIL) desde 2019 e da Estância da Poesia Crioula também desde 2019.

Atualmente, é parecerista de projetos culturais de Secretaria Municipal de Pelotas (SECULT), mantém este blog e busca patrocínio para viabilizar seu primeiro romance - que inclui uma trilha sonora autoral -, "O mendigo de Saint Laurent".

(O autor)



Eu quero me alimentar de luz - Crônicas afônicas (2014)

EU QUERO ME ALIMENTAR DE LUZ...   N asce da terra fértil a dádiva da vida, espreguiçando-se em tons de verde-broto. Uma infinidade de ar...